sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Curral del art do Aderbal


Meu amigo Walter Carrilho manda um questionamento para o Sr. Xavier, Cônsul Honorário do Principado de Curralinho e Rufião nomeado do Ponto (sem nó) de Cultura Diamantinense.

Afinal, Xavier:
"Prá que serve a arte?"

"Taí uma pergunta recorrente. E a resposta é simples. Arte existe para dar o que fazer a essas pessoas de sobrenome curioso (Catunda, manja?). Ou filhos de diplomatas, banqueiros e funcionários públicos de alto escalão. Eles não podem simplesmente pegar no batente e bater ponto. Têm que fazer algo “criativo”. E isso serve para aqueles rebeldes sem causa que fazem tanto sucesso (sim, isso inclui Renato Russo, cujo pai ganhava uma baba no Banco do Brasil). Se não é isso, para que serviria?

O incêndio que consumiu parte do acervo do artista Hélio Oiticica rendeu manchetes. Calcula-se que o prejuízo seja de 200 milhões de dólares. Os escravos da crítica dizem que “foi uma grande perda para a cultura nacional”. Sim, mas, de fato, o que perdemos? Alguns pedaços de madeira e tecido coloridos. Não sou anti-arte, Xavier, mas convenhamos, 200 milhões é demais para algo que me diz de menos.

Fui a uma galeria ver uma “instalação” de Hélio Oiticica há alguns anos. Você entrava em uma sala e escolhia uma rede para deitar. A luz apagava e passavam uns slides com imagens da capa de um disco de Jimmy Hendrix com carreiras de cocaína por cima. Minutos depois a luz acendia. Fim. “Radical, marginal, controverso”, diziam. Para mim? Grande merda.

Picasso fez Guernica pensando na Guerra Civil Espanhola. Michelangelo pintou Deus na Capela Sistina. E por aqui neguinho pendura rede na parede. E querem que eu acredite que isso vai mudar a minha vida. Sei.

Meu sobrenome não é lá essas coisas. E meu pai não era banqueiro. Mas, olha só, espalhei uns almofadões em casa. E vou mostrar projeções com fotos da Luciana Vendramini nua. Talvez espalhe pó de café por cima. Não é mais legal? Sei lá, tipo assim, radical, marginal, controverso, saca?"

Um comentário:

Ulisses disse...

Fantástico! se fosse pelo menos sabbath o inhotim ganhava rios de dinheiro com excursões metal headbanger! Viva os protestantes da estética do absurdo!